De tempos em tempos,
precisamos revistar nossas vidas. Assim como quem decide voltar a um bairro
onde morou, a uma escola em que estudou, a um museu que foi visitar com a
turminha da escola.
Fazer uma visita atenta, com o objetivo reconhecer o que conhecemos de tudo o
que puder ser visto ali. Lembrar fatos, histórias, episódios e sua importância.
Refletir sobre o quanto eles impactaram nossas vidas, o quanto foram
determinantes para que nós nos transformássemos no que somos hoje.
E dar um passo além. Perceber como nos sentimos ali olhando o passado. Pesando
o resultado: é positivo ou negativo?
Mais do que isso: o que vimos ali ainda nos serve? Ainda faz sentido? Ainda
funciona? Produz o bem?
Hoje me peguei refletindo sobre como meu cérebro trabalha, sua autonomia. Mais
especificamente sobre sua seletividade. O que ele fica e o que ele dispensa. O que
meu cérebro absorve, por que absorve ou por que não absorve?
Penso que temos muito que
estudar para entender o cérebro, mas tenho pensado sobre a necessidade de
reformular o presente, repensar a maneira como penso, repensar meus limites, o
modo como encaro a vida, minhas relações com amigos e família, sua
consistência, etc., e que parece não existir a necessidade de conhecimento
técnico profundo para estabelecer mudanças radicais em nossa vida.
Lembrei-me da história sobre
a memória de elefante. Alguém me contou que quando os donos de circo treinam
elefantes desde pequenos, os mantem presos a pequenas estacas de madeira. O pequeno
elefante tenta faz força para se livrar daquela estaca e quando conclui que não
pode, nunca mais decide por uma nova tentativa. Mesmo em idade adulta, quando
facilmente poderia se soltar, não o faz por causa daquela convicção desenvolvida
na infância.
Minhas memórias de elefante
precisam no mínimo ser questionadas e muitas delas substituídas por novas e
adequadas convicções. Toda essa exposição não oferece uma conclusão, muito
menos uma resposta definitiva, mas me faz acreditar que uma grande mudança é
absolutamente possível, que não precisamos ficar refém de qualquer que seja o
cenário. Tudo é possível para quem acredita, para quem acredita em Deus, mas
não apenas Nele. Principalmente, para quem acredita em si mesmo, na força de
suas convicções e acredita em sua coragem de seguir adiante até que seus
objetivos sejam alcançados.